Vivemos um tempo em que a fronteira entre o respeito legítimo pelos animais e a imposição de uma visão única do mundo se torna cada vez mais ténue. O debate em torno da Tauromaquia é a ilustração perfeita disso. De um lado, o humanismo: a defesa da identidade, da história, da liberdade de escolha e do pluralismo cultural. Do outro, uma visão que, em nome de uma moral que se presume superior, procura silenciar tudo aquilo com que não concorda. A diferença é simples: uma respeita a liberdade dos outros; a outra só a respeita enquanto lhe convém.
A consulta pública para a inscrição da «Corrida de Toiros em Portugal» no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI) é o campo onde este confronto de visões se trava. E convém não ignorar o que está em jogo: hoje é a Tauromaquia; amanhã poderá ser a caça, as festas tradicionais com animais, as provas equestres, etc.. O critério deixa de ser o valor cultural e passa a ser a sensibilidade do momento. O precedente é o verdadeiro risco.
Não se trata de obrigar ninguém a gostar de touradas. Trata-se de garantir que quem gosta possa continuar a fazê-lo, sem que o Estado lhe diga que a sua cultura é inferior e não merece reconhecimento.
Liberdade de escolha vs. imposição de uma moral única
A pergunta é simples: queremos viver num país onde o Estado decide quais as manifestações culturais são aceitáveis e quais devem ser eliminadas? Ou queremos um país onde a liberdade de escolha é respeitada, mesmo quando alguns não partilham da mesma paixão?
A resposta tem base legal. A Tauromaquia já é reconhecida pelo Decreto-Lei n.º 89/2014 como parte integrante do património cultural popular português. A inscrição no INPCI vem dar coerência a esse reconhecimento, conferindo-lhe estatuto formal de Património Cultural Imaterial e uma proteção com revisão ordinária a cada 10 anos, nos termos do Decreto-Lei n.º 139/2009.
E os números sustentam a relevância desta manifestação: em 2025, realizaram-se 147 espetáculos tauromáquicos em 63 concelhos, e perto de 300 mil pessoas assistiram a touradas em Portugal, segundo dados do INE e da IGAC. Não estamos a falar de uma prática residual. Estamos a falar de uma realidade cultural viva, com expressão territorial e social.
O que está em causa
A consulta pública está aberta até 2 de Novembro de 2026. O resultado depende da participação de todos. Não basta concordar em silêncio. É preciso agir.
Como participar
Envie um email para inpci@patrimoniocultural.gov.pt com o seguinte assunto:
Consulta Pública 278/2026 – Apoio à inscrição da «Corrida de Toiros em Portugal» no INPCI
No corpo do email, identifique-se (nome e, se aplicável, entidade/função) e manifeste o seu apoio. Use o modelo abaixo como ponto de partida, se for mais fácil, mas acrescente sempre duas ou três linhas pessoais. Diga onde vive, o que a Tauromaquia representa para si, se tem ligação a uma tertúlia, a uma ganadaria, grupo de forcados ou a uma praça. Um email personalizado vale muito mais do que um email igual a milhares de outros.
Exmo. Senhor Presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, I.P.,
Eu, [Nome], na qualidade de [cidadão / representante da entidade], venho manifestar o meu apoio à inscrição da «Corrida de Toiros em Portugal» no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, no âmbito da consulta pública aberta pelo Anúncio n.º 278/2026, de 2 de outubro.
A Tauromaquia é uma manifestação cultural com séculos de história em Portugal, profundamente enraizada em várias regiões, envolvendo comunidades, famílias, ofícios, ganadarias, forcados, cavaleiros, campinos, toureiros, bandarilheiros, empresas e tertúlias. Constitui um património vivo que importa salvaguardar e reconhecer.
[Duas ou três linhas pessoais — ver nota acima]
Neste sentido, solicito que a proposta de inscrição seja considerada e aprovada.
Com os melhores cumprimentos,
[Nome]
[Entidade/Função]
[Contacto]
Peça também à família e aos amigos. Cada email conta. Cada voz é um voto pela liberdade.