A Federação Portuguesa das Associações Taurinas vem a público denunciar a campanha de desinformação orquestrada pela plataforma Basta de Touradas, com a conivência editorial do Polígrafo, que resgatou deliberadamente um vídeo de 2023 da Creche e Jardim Infantil de Benavente para o transformar em arma de arremesso político contra a tauromaquia. O que se apresenta como exercício de fact-checking revela-se, na prática, uma operação de propaganda que sacrifica o rigor jornalístico no altar do activismo ideológico, instrumentalizando crianças e desrespeitando comunidades inteiras.
O que as imagens mostram, na verdade, é exactamente o oposto da narrativa que pretendem impor. Mostram uma comunidade a transmitir às suas crianças, de forma lúdica, pedagogicamente enquadrada e com supervisão adulta, os usos e costumes do seu território. Mostram a Festa da Amizade e da Sardinha Assada, uma tradição local que integra música, gastronomia e tauromaquia, porque em Benavente, como em mais de 80 municípios portugueses, a tauromaquia é cultura viva. Não houve imposição ideológica, nem doutrinação, nem violência. Houve aquilo que sempre houve nas terras taurinas: crianças que brincam aos forcados.
Se estas imagens chocam alguém, isso só demonstra a ignorância cultural e o preconceito de quem as observa de fora, sem conhecer a realidade social do Ribatejo. Prova que, para certos sectores urbanos e centralistas, a existência de comunidades que mantêm vivas as suas tradições é um incómodo intolerável. Prova que o projecto político de erradicação da tauromaquia não hesita em usar crianças como arma de arremesso, fabricando polémicas em cima de brincadeiras infantis perfeitamente enquadradas no contexto cultural e pedagógico local.
O Polígrafo, que se apresenta como plataforma de verificação de factos, limitou-se a validar a existência do vídeo e a reproduzir acriticamente a narrativa do Basta de Touradas, omitindo o essencial: que a actividade é legítima, natural e respeita a autonomia pedagógica da instituição. Ao fazê-lo, o Polígrafo não exerce jornalismo — exerce militância disfarçada de isenção.
A plataforma Basta de Touradas decide, três anos depois, ressuscitar este vídeo, o que nada tem de inocente: revela a incapacidade de vencer o debate no terreno democrático, obrigando a recorrer a táticas de guerrilha mediática, onde o que importa não é a cultura das comunidades, mas o like e o ódio ao outro que tem gostos diferentes do seu. Esta estratégia de ressuscitar polémicas antigas, descontextualizá-las e lançá-las novamente na esfera pública demonstra um profundo desprezo pela verdade e uma instrumentalização calculista da infância para fins políticos.
Reafirmamos, por isso, o que sempre defendemos: educar não é isolar. Educar é mostrar o mundo na sua complexidade, é enquadrar, é explicar. A criança que veste um traje de forcado em Benavente não está a ser vítima de violência; está sim a ser integrada na sua comunidade, a aprender que a tradição não é um museu, mas algo que se veste, se brinca, se vive. Psicólogos, pedagogos e sociólogos têm sublinhado que não existe qualquer evidência científica que demonstre danos psicológicos em crianças expostas à tauromaquia em contexto cultural orientado, ao contrário do que sucede com campanhas que as transformam em símbolos de lutas que não compreendem.
A verdadeira desprotecção infantil é aquela que rouba às crianças o direito à sua própria cultura e às famílias o direito a educar, em nome de uma suposta moral universal superior que, convenientemente, coincide com os gostos e as sensibilidades de minorias animalistas que pretendem uniformizar o país à imagem e semelhança dos seus bairros metropolitanos. A verdadeira violência é a da descontextualização, a do apagamento, a da humilhação pública de instituições que, pressionadas por campanhas difamatórias, se vêem forçadas a retirar conteúdos legítimos das suas redes sociais.
A PróToiro continuará a denunciar estas campanhas e a defender que as crianças das terras taurinas têm o mesmo direito à sua herança cultural que quaisquer outras. E que esse direito não será suprimido por decisões de quem nunca pegou um pau de forcado, nunca assistiu a uma largada e nunca perguntou a um pai ou a uma mãe de Benavente se sentem orgulho ao ver os filhos vestidos à campino.